
Está cada vez mais complicado atualizar este espaço. Sabem como é, a vida virtual acaba esbarrando na real e, como deve ser, sempre perde para ela.
Alguns dizem que eu utilizo errado o tumblr; que este é um local para se compartilhar coisas simples, ralas, conteúdos dignos apenas de um sorriso de canto de boca e nada mais. Pois bem, me perdoem, mas continuarei errando.
A minha terapeuta – que reclama quando a chamo de psicóloga – disse há algum tempo que eu tenho um talento nato para cativar as pessoas. Algo que ela chama de carisma indevido. “Mas por que indevido?” fiz questão de perguntar logo depois de ser provocado por ela. “Porque você não gosta disso. Acha um defeito. Não sabe usar”.
Claro que eu pensei “é minha primeira consulta e ela está querendo se passar de sabichona e me intrigar só para que eu volte na próxima semana e ela continue recebendo”. Simples e justo, é claro. Ela, apesar de nova, é casada e deve ter contas para pagar.
Não entrei na brincadeira. Respondi “mas é claro que eu sei que tenho esse dom, tanto que utilizo dele em todas as oportunidades que me surgem”. Mas ela não foi na minha; “Você está mentindo. Se soubesse usar esse talento não teria problemas e, se não tivesse problemas, não estaria aqui”.
Cuzona. Depois me perguntam porque não gosto tanto assim de mulheres mais velhas que eu. Mas enfim.
Ela continuou dizendo que sou naturalmente simpático, educado e, na medida do que seria correto e profissional de se dizer, bem afeiçoado. Ok, não iria discordar dela me elogiando. Acreditem, ela é muito bonita e aprendi desde cedo que não se deve tirar a razão de mulheres muito bonitas – principalmente das que estão falando bem de você.
Mas, nem tudo são flores e, na maioria das vezes, fazer terapia é pagar para ouvir o que tu não gostaria de ouvir. Realmente o mundo moderno inventa cada vez mais formas de sugar o pouco dinheiro que ganhamos.
A metralhadora começou a girar e a loira veio com todos os defeitos possíveis e imagináveis pra cima de mim. PÁ! Tapa na cara da sociedade.
Segundo ela eu sou:
- Inseguro
- Sentimentalóide (sim, a palavra não existe, mas ela disse assim mesmo)
- Mentiroso
- Egocêntrico
- Infantil
- Orgulhoso
- Irracional
- Frustrado
- Rancoroso
- Confio facilmente nas pessoas (ela disse que era defeito…)
- Sofro de complexo de inferioridade
- Sempre busco ser o centro das atenções
- Ajo como se tivesse razão, mesmo não tendo
AND, me falta foco na vida. A mulher conversou comigo por UMA ÚNICA E MALDITA HORA e já me empurrou num poço de insatisfação e infelicidade.
Tal qual uma professora do primeiro grau, me fez escrever cada um destes defeitos em um papel, concordando ou não com eles. Depois, deu detalhes do porque havia apontado tais características, de um jeito que doeu de verdade ouvir. Mulheres são bichos que sabem como zoar um homem quando querem.
Como listado acima, deu para perceber um pouco o quão deslocado sou, afinal, até os miseráveis defeitos não se encaixam. Ser orgulhoso não combina tanto assim com alguém com complexo de inferioridade e o meu egocentrismo deveria impedir essa confiança irresponsável que tenho com todo mundo.
Todavia, após me deixar por longos minutos encarando a tal lista, ela disse que iria começar um exercício comigo. Uma atividade para que, semanalmente, eu listasse mentalmente as minhas atitudes e ponderasse se elas haviam sido influenciadas ou não por essas minhas imperfeições.
Digo a vocês que está sendo uma tortura chegar e dizer “olhe, fui um babaca por causa disso, disso e disso”, mas encarar tais fatos está me ajudando, de verdade, a identificar os aspectos que preciso melhorar na minha vida.
Admitir esse tipo de falha, além de me figurar como um objetivo a ser subjugado, também me força violentamente a crescer e a me tornar um cara melhor do que eu era antes.
Achei tão bacana que resolvi dividir isso com vocês. Dizer para que talvez tentem isso em seus próprios universos, para que consigam ver onde está o erro a ser transcendido. O tal inimigo a ser derrotado dentro de cada um.
Ah, e sobre o tal carisma indevido, ela mencionou que se não fosse casada, evitaria me tratar. Afinal, não pode ter relações com os pacientes.
Até outro dia!
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