Vudu e' pra jacu.

A primeira vez em que ouvi esta expressão foi da boca de uma ex-namorada, a Bruna. Estávamos numa missa – ela me obrigava a ir na igreja e, numa boa, eu ia. Amava tanto aquela guria que chegava a doer.

Durante um salmo e outro, sempre pegava na mão dela para fazer carinho, murmurando que a amava no ouvido. Foi então que ela, provavelmente num bad hair day, me respondeu: “Eu sei, Caio. Eu te amo não é bom dia, tu não precisa dizer toda santa vez que me vê.”

Na hora foi como se tivesse levado um baita murro na boca, daqueles que te deixa com o maxilar molenga e a vista pisca em inúmeros clarões. Eu sei, já dei e levei vários destes.

Digo que doeu. Doeu tanto que eu carrego estas simples palavras comigo até hoje. E olhem que são poucas as lembranças dolorosas que faço questão de reviver as vezes para me fazer deixar de ser idiota. Como o dia em que numa disputa de salto em altura, eu errei o colchão e me esborrachei no chão em frente a escola inteira. Mas isto é história para outro dia.

Na época eu julguei o “eu te amo não é bom dia” apenas como uma maneira diferente de dizer o quão meloso e carente eu era, características que acabam facilmente com a paciência os outros. Entretanto, com o passar dos anos e a experiência de vários outros relacionamentos falidos nas costas, percebi o que isto realmente quer dizer.

Você não chega no açougueiro e fala eu te amo só porque ele guardou alguns ossos para o seu poodle toy roer. Você não sussurra eu te amo no ouvido da guria que se ofereceu para segurar as suas coisas no ônibus. Você não responde eu te amo quando o William Bonner fala boa noite na TV. A não ser que você esteja envolvido emocionalmente com alguma destas pessoas (oi Fátima), você não diz eu te amo. Porque você não ama. Simples assim.

Simples mas, infelizmente, ninguém respeita isto hoje em dia. Estão transformando eu te amo em bom dia. Porra, é mais fácil ouvir que é amado do que o maldito do bom dia atualmente.

Eu te amo é a junção mais maravilhosa de palavras que existe (talvez dispute um pouco com “você ganhou na Mega-Sena”) e ouvir/falar isto deveria ser considerado um dos pontos altos na vida de cada um. Quando temos duas pessoas realmente apaixonadas e uma delas profere um eu te amo verdadeiro, até os pandas ficam animados a se reproduzir, afinal um bolsão de energia positiva foi liberado naquele momento.

Mas eu te amo não é só alegria evanescente. Eu te amo é responsabilidade, é respeito, é a certeza de que ao deitar a cabeça no travesseiro a noite, aquelas pessoas vão pensar em conjunto, vão enxergar a felicidade de estarem unidas e começarão a buscar saídas para todos os problemas que as aflige. Ou pelo menos é o que deveria ser.

Quando você ama alguém, a pessoa se transforma em prioridade, não como o centro do mundo, numa figura idealizada que merece louvor e adoração insossa, mas sim como alguém que você aceita caminhar lado a lado, enfrentando o mundo com dois corações ao invés de um.

Um eu te amo mal dito carrega consigo a insegurança de um bebê prematuro. Na maioria das vezes tu simplesmente não sabe se ele vai sobreviver ou não, apenas reza pelo melhor. Um eu te amo indevido cria expectativas absurdas na outra pessoa, que começa a imaginar o seu sentimento de uma maneira que na verdade ele não é. Um eu te amo por impulso é covarde, tão covarde quanto o covarde pode ser.

Eu acredito no amor eterno. Acredito piamente. Afinal, eu continuo amando todas as pessoas que um dia disse que amava. Talvez não na mesma intensidade, talvez não a ponto de largar tudo e correr para tais braços, mas eu amo. Faço questão de lembrar dos momentos bons, dos sorrisos, dos carinhos na cama e das mãos dadas nas ruas. Tenho quase a obrigação pessoal de sempre mandar energias positivas para estas pessoas, mesmo que no final nada tenha saído como o planejado e a maioria das portas permaneça fechada.

Não desperdicem estes momentos tão especiais de maneira abrupta e infantil. Se ainda não têm certeza do tamanho de seus sentimentos, simplesmente permaneçam com a boca fechada e o coração aberto. O tempo lhes garante a resposta.

Numa comparação idiota, se imaginem como o Megaman. Carreguem estas sensações, segurem-nas, aperte tudo muito forte até o momento em que não puder mais… E então simplesmente solte. A chance de errar o alvo é maior, mas convenhamos que ralas demonstraçõezinhas de sentimento, como os pequenos tiros amarelos, nunca vão fazer diferença alguma.

Eu te amo não é bom dia. Sejam responsáveis, por favor.


  1. azul84 reblogged this from matheusb
  2. matheusb reblogged this from caiocorraini
  3. tiagosantana reblogged this from caiocorraini
  4. cellofawareness reblogged this from caiocorraini
  5. caiocorraini posted this
To Tumblr, Love PixelUnion