Vudu e' pra jacu.

Como todos sabem (e se não sabem, agora irão saber) fui criado no interior de São Paulo, pelos meus avós. É uma história longa e chata, que possivelmente eu irei tentar contar em outra hora (sem que permaneça chata, mas não menos longa).

Neste final de ano, me permiti voltar e passar alguns dias em casa, a fim de descansar o corpo e a mente, muito embora o maior objetivo ainda seja descobrir o que irei fazer da minha vida em 2010.

Voltar para Mococa é como viajar para outro planeta, onde a nostalgia é quase palpável.

Tenho saudades daqueles tempos, daqueles fatos e daqueles rostos. São lembranças que me figuram tão distantes que parecem fazer parte de outra vida. Ou então de algum filme visto antes de dormir.

Já entrando em um devaneio um pouco mais profundo e amargo, quando atravesso a fronteira deste pequeno município, acabo inundado por memórias que me cobravam ontem as respostas que tenho apenas hoje.

Sim, tenho noção de que grande parte do conhecimento que possuo agora é decorrente das experiências e dos erros cometidos no passado, mas este lapso realista não faz a minha consciência se sentir mais leve ou este devaneio se tornar mais raso.

Passando por esta crise existencial que sempre me ocorre ao pousar nestas bandas, podemos atravessar para discussões mais concretas e pertinentes envolvendo este meu berço por consideração.

Mococa é localizada no nordeste do Estado e faz divisa com Minas Gerais.

São cerca de 68 mil habitantes que antigamente eu alimentava a ilusão de conhecer a maioria. Realidade ou não, era fato corriqueiro sair pelas ruas parando para cumprimentar inúmeras pessoas, fingindo atenção em grande parte das vezes. Fui muito bem educado, afinal de contas.

Pois bem, aparentemente me livrei deste afazer. Uma porcentagem absurdamente alta das almas conhecidas desapareceu, resultando em uma terra completamente diferente.

Não foram poucas às oportunidades em que me direcionei a algum estabelecimento guardado na memória (uma sorveteria em que um conhecido me traficava calda de caramelo sem cobranças extras, por exemplo) para dar de cara com uma nova “Casa do Senhor” ou um boteco improvisado.

Quando saí abandonei uma cidade que, apesar dos pesares, estava em pleno crescimento e evolução. Agora observo um local parado no tempo e aparentemente abandonado por seus administradores.

Posso estar sendo injusto afinal o que são poucos dias para configurar um julgamento tão rude, mas sabem aquela sensação de que no meu tempo era melhor? Então…

Em meu circulo de amizades, inclusive, um sem número de alterações também ocorreram. Mas, neste caso enfim, a porcentagem positiva prevalece.

Quando menores, sem nenhuma modéstia por não necessitar dela, eu me destaquei principalmente pela facilidade em me comunicar com quem quer que fosse. Este fato sempre fez de mim a pessoa que mais se relacionava, mais vivenciava coisas novas e, consequentemente, mais aprendia e se metia em situações desagradáveis.

Neste panorama novo, meus comparsas se abriram finalmente para o mundo, cada qual desfrutando a Matrix de uma forma diferente. Tenho amigos que agora são pais, outros que conquistaram grandes bens e evoluíram seu status social, alguns que aos trancos e barrancos ainda compreendem o valor de uma independência recém-conquistada e poucos que se deixaram cair, derrotados pela vida. Acontece em qualquer lugar e com qualquer um, não seria diferente por aqui.

Pode parecer uma brincadeira minha com um estereótipo utilizado por aí, mas algo que influenciou diretamente cada uma destas alterações que citei para eles foi ter um carro. Ou não ter um.

The End


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